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Contos #2
Pensamento distante, sensações difusas e acordes musicais.
O pequeno dispositivo de som no bolso (ou em algum lugar invisível a olhos distantes) era quem guiava aquela mulher a recantos longínquos. Talvez ela pensasse em sua terra natal e na infância que lá ficou. Outros já diriam que não, ela recorria aos recursos de sua imaginação, capaz de levá-la dos jardins da tranquilidade aos mares da liberdade.
Tudo graças a ruídos ritmados.
A viagem, porém, é interrompida quando a ironia repentinamente traz uma nota fora do tom.
Uma pequena lata de “suco natural” é arremessada em direção a mulher, mas, ao invés de se somar às outras de seu carrinho, lhe arranca o fone do ouvido.
É a realidade chamando de volta.

