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Toca Raul – Como vovó já dizia

Outro dia ouvi na MTV a versão censurada dessa música e comecei a refletir sobre ela.

Interpretação tradicional (por quem quer entender isso logo)

Como todos sabem, Raul era um drogadão que escrevia músicas sobre suas viagens. O colírio que ele usava era para disfarçar o olho vermelho depois que usava maconha. Mas se não tivesse como comprar um colírio por ter gasto tudo com drogas, teria que colocar uns óculos mesmo.

Interpretação pessoal (por minha pessoa)

As duas versões tratam da questão da liberdade e suas escolhas. Mas, como se pode imaginar, a barrada pela censura (as lestras de ambas versões estão no fim do texto) mostrava isso mais claramente e de uma maneira mais ácida.

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Toca Raul: Carimbador Maluco

Bom ver uma crítica sócio-cultural sutilmente disfarçada de música infantil. O fator que deixa tudo isso mais interessante é que a tal música foi apresentada em um especial justamente num dos baluartes do domínio alienante. Então vamos ao Carimbador Maluco!

Interpretação tradicional (by malas preconceituosos)

Uma música infantil que aquele maluco fez porque queria se redimir dos absurdos das outras coisas que ele cantava.

Interpretação minha (by este que vos escreve)

Vejo esta música como o questionamento do controle, do domínio ao qual somos submetidos. No caso, ele pode ser analisado por dois principais pontos: a sociedade e nós mesmos.

No caso da sociedade, é uma citação clara sobre a burocracia ou, em uma análise mais crítica, os governos e religiões dominantes. Lembra a necessidade eterna de buscar confirmações  para quaisquer atitudes, qualquer “vôo” precisa do aval da nobreza e clero contemporâneos. Não há liberdade verdadeira, mas regras por todos os lados. Pensar não é permitido, obedecer é a ordem do dia. Seguir, sem questionar.

Ao longo da letra, existem citações de um famoso anarquista (Proudhon) que provavelmente partiram do texto abaixo:

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Toca Raul: O dia em que a Terra parou

Motivações pra analisar essa música? Ah, talvez a crise econômica (é, até em um blogue underground discutimos a crise) seja um dos principais motivos, mas a pressa, o desepero de não perder um segundo, a rotina também são fatores importantes.

Interpretação tradicional (by alguém bem revoltado)

 Representa bem o comportamento de pessoas como ele, despreocupadas com o progresso da sociedade e que preferem ficar em casa usando seus entorpecentes a trabalhar para o futuro da nação.

Interpretação pessoal (by minha pessoa)

 O ritmo desenfreado de se viver, comer, trabalhar, dormir e começar tudo de novo ficaria claro se tudo que conhecemos parasse por um tempo. Nos questionaríamos um pouco sobre o porquê de fazermos o que fazemos e se a velocidade disso tudo é benéfica de alguma forma.

 Se o fato de o bandido não roubar porque não haveria onde gastar fosse substituído por não roubar por ter tudo o que precisa (isso também pode ser substituído por um terrorista que não precisa matar para defender suas ideologias), talvez fossemos menos retraídos no nosso comportamento social, teríamos menos ressalvas no trato com os outros. A Terra pode estar parada de medo, de receio de sair às ruas e não ter a chance de voltar pra casa.

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