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O nicho humano

Humanos, sempre querendo ser diferentes. Entre todos animais que habitam este planeta, foram eles que atingiram os mais altos níveis de adaptação do meio às suas vontades/necessidades, mesmo que no caminho várias espécies tenham se tornado registros históricos.   Leia o resto deste post

Começo conjectural da história humana

Um resumo da bela interpretação que Kant fez do Gênese bíblico:

[...] a saída do homem do Paraíso, que a razão lhe apresenta como a primeira instância de sua espécie, não significa outra coisa que a passagem da rudeza de uma criatura puramente animal para a humanidade, dos domínios nos quais prevalecia o governo do instinto para aqueles da razão; numa palavra, da tutela da natureza para o estado de liberdade. A questão de saber se o homem ganhou ou perdeu com essa mudança não mais se impõe quando olhamos a destinação de sua espécie, que reside unicamente em progredir rumo à perfeição, pouco importando os erros no início, durante os sucessivos ensaios empreendidos por uma longa série de gerações em sua tentativa para atingir aquele alvo. No entanto, essa marcha, que para a espécie é um progresso que vai do pior para o melhor, não é precisamente a mesma coisa para o indivíduo. [...]

Curioso como essa era a mesma visão de Joseph Campbell. Um filósofo e um mitólogo em comunhão de pensamentos não é algo comum de se ver.

Learning to fly

“Humano significa: conhecer além das estrelas

que estão por cima do teto que nos cobre, isto é,

além de toda a adaptação necessária ao concreto de todos os dias,

estar consciente da totalidade das coisas,

superar o ‘meio’ e adentrar-se pelo mundo.”

(Pieper, Que é filosofar? Que é acadêmico?, p.22)

 

Chega um momento que precisamos aprender a voar, a hora sair de nossas tocas tão cômodas e conhecer o mundo, mas não apenas isso, é chegada a hora de ser, conscientemente. Penso que isso está diretamente relacionado à busca de algo de certa forma trivial, a vocação.

Encontrar uma profissão é fácil para qualquer um com um Guia desses que se vê por aí. Mas espera um pouco, profissão o que tem a ver com vocação? Este é o ponto. Nos acostumamos a substituir o conceito de disposição natural/chamado (vocação) por ofício/ocupação (profissão). Talvez não sejamos seres tão banais a ponto de a simples pergunta “o que gosto de fazer?” solucionar uma das questões essenciais de uma existência mesmo que curta em termos de Universo. Não é supervalorizar o ser humano, mas favorecer o mínimo para que nossas sombras sejam menos evitadas e mais entendidas.

Certo, que questões deveríamos fazer a nós mesmos se quiséssemos encontrar algo que possa nos impelir a conquistas? Talvez se deixássemos de analisar a carreira como o foco principal e nos preocupássemos com as conquistas como um todo. Entender como somos afetados por nosso passado e presente, buscar a relação entre o gostar de fazer e gostar de ser. “A descoberta do valor de sua contribuição pessoal para a vida em sociedade é fundamental para o homem contemporâneo que vive em uma sociedade onde é valorizado o individualismo, o isolamento e a competitividade.”*

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A arte de complicar

Não vemos as coisas como elas são e sim como nos parecem
(Talmud)

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