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Tábula rasa
“O filósofo inglês John Locke (1632-1704), considerado o protagonista do empirismo, detalhou a teoria da Tábula rasa em seu livro, Ensaio acerca do Entendimento Humano (1690). Para Locke, todas as pessoas ao nascer o fazem sem saber de absolutamente nada, sem impressões nenhumas, sem conhecimento algum. Então todo o processo do conhecer, do saber e do agir é aprendido pela experiência, pela tentativa e erro (i.e. o homem nasce como se fosse uma “folha em branco”).”
“O que eu ouço, eu esqueço. O que eu vejo, eu lembro. O que eu faço, eu entendo.”
Cruel o fato de aprendermos exclusivamente pela experiência, não? Nascemos e começamos a ser bombardeados por sensações que se transformam em informações e as julgamos segundo o panorama que desenvolvemos ao longo do tempo. Por que, então, em certos momentos parecemos esquecer o que aprendemos e erramos quase que da mesma maneira de antes (nunca exatamente igual, o caos determinista não me deixa mentir)? A folha voltou a ficar branca?
Contos #3
Dualidades, sempre elas.
Por mais genérico que este início pareça, descreve, resume, constata: a personagem não sussurra ou urra, ela não sente ou pensa, não vive ou morre. Ela urra sussurrando, pensa sentindo e morre vivendo.
Fraca, por vezes admirada por sua força… não sabe. Quem poderia?
Talvez ela nem mereça saber, pois personagens têm vidas fáceis, apenas seguem o roteiro escrito por alguém que desconhecem e talvez nunca sequer encontrem.
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Será?
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De repente, ela se levanta.
E pensa por um momento que talvez não.
Talvez seja diferente.
O autor talvez apenas observe e, ao observar, relata o roteiro que essa formidável personagem cria por si mesma.
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Certo ou errado?
Talvez…
O outro paradoxo dos gêmeos
Determinismo, s.m. Princípio que constitui uma das bases de todo conhecimento científico e segundo o qual se afirma a existência de relações constantes e necessárias entre os fenômenos, isto é, as mesmas causas produzem os mesmos fatos; (por ext.) doutrina filosófica que nega o livre arbítrio ou a influência pessoal na determinação do ato e o atribui à força das causas (externas ou internas); negação da liberdade humana do livre arbítrio. (Fonte: Novo Dicionário Escolar da Língua Portuguesa)
“Em uma realidade perfeitamente controlável, nascem gêmeos univitelinos não siâmeses. Como tudo mais nessa dimensão, as variáveis envolvidas na gestação e parto das crianças foram idênticas em intensidade e período de ocorrência. Até mesmo o ângulo de inclinação dos cromossomos foi disposto da mesma forma. Nasceram na mesma fração de segundo, choraram durante o mesmo intervalo. Porém, neste momento foram separados.
O ambiente no qual foram criados era controlado por um mesmo supercomputador que garantia a total similaridade entre os ambientes. Nenhum dos dois teve contato com seres humanos enquanto se desenvolvia.”
Partindo desta hipótese, os gêmeos teriam a mesma personalidade?


