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A insistência na comparação
Todos os dias insistimos em classificar nós mesmos e aqueles que nos cercam. Categorizamos humores, aparências, habilidades e qualquer outro aspecto que consigamos isolar. Porém, existe algo que é mais difícil de categorizar que simples traços físicos ou sentimentais: o desenvolvimento da personalidade.
Considerando inteligência como a capacidade mental de raciocinar, planejar, resolver problemas, abstrair, compreender ideias e linguagens e aprender, é possível afirmar que ela faz parte ou corresponde à personalidade? Qualquer que seja a resposta, os conceitos de inteligência e personalidade parecem estar ligados. Uma teoria da psicologia cita a inteligência como dividida em múltiplas facetas, dizendo que estas são nove ao todo: lógico-matemática, linguística, espacial, musical, cinemática, intrapessoal, interpessoal, naturalista, existencial. Seria possível comparar o desenvolvimento da personalidade de alguém com grandes talentos lógico-matemáticos com o de outra pessoa que tenha muita sensibilidade musical?
Tábula rasa
“O filósofo inglês John Locke (1632-1704), considerado o protagonista do empirismo, detalhou a teoria da Tábula rasa em seu livro, Ensaio acerca do Entendimento Humano (1690). Para Locke, todas as pessoas ao nascer o fazem sem saber de absolutamente nada, sem impressões nenhumas, sem conhecimento algum. Então todo o processo do conhecer, do saber e do agir é aprendido pela experiência, pela tentativa e erro (i.e. o homem nasce como se fosse uma “folha em branco”).”
“O que eu ouço, eu esqueço. O que eu vejo, eu lembro. O que eu faço, eu entendo.”
Cruel o fato de aprendermos exclusivamente pela experiência, não? Nascemos e começamos a ser bombardeados por sensações que se transformam em informações e as julgamos segundo o panorama que desenvolvemos ao longo do tempo. Por que, então, em certos momentos parecemos esquecer o que aprendemos e erramos quase que da mesma maneira de antes (nunca exatamente igual, o caos determinista não me deixa mentir)? A folha voltou a ficar branca?
Indizível
Durante uma interessante discussão em um chat no msn, me lembrei de um excelente livro que li pouco tempo atrás: Sidarta do ecritor Herman Hesse.

Difícil definir este livro. É surpreendente o modo leve como o autor consegue trazer à tona este tema: a busca. Diferentes caminhos que levam a diferentes modos de vida, mas sempre buscando a essência. Talvez indizível seja uma definição apropriada a este livro.
Algo que comecei a perceber é exatamente isso: quando apenas procuramos respostas e esquecemos de contemplar, nos falta algo e pode ser que este seja Aquele algo. Estas definições, por mais vagas que pareçam, contém algo além da razão: a experiência, a sensação.
A seguir deixo o trecho que a colunista Soninha Francine dissertou na contracapa:

