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Mudança de planos
Não que existisse um grande plano inicial, mas a base do blogue vai sofrer algumas alterações a partir de agora. Apesar de não ter muito tempo que tenho esse espaço de devaneios (menos tempo ainda que publico), já consigo definir duas fases que tive por aqui.
A primeira, da criação até o post Reconsiderando…, onde refleti sobre situações do meu cotidiano, usei um pouco do meu idealismo questionador, comecei os posts sobre as músicas do Raul e discuti alguns livros que havia lido. Essa fase teve um estilo intimista-idealista-otimista, mostrando talvez um lado mais emocional. Já a segunda fase, do Obs até o post anterior, teve textos em que me arrisquei em algumas formas de arte, analisei conceitos ligados a discussões filosóficas clássicas e continuei séries da fase anterior. Mas, diferentemente do primeiro momento, este foi mais cético, pessimista e observador, o que mostra uma face mais racional.
Learning to fly
“Humano significa: conhecer além das estrelas
que estão por cima do teto que nos cobre, isto é,
além de toda a adaptação necessária ao concreto de todos os dias,
estar consciente da totalidade das coisas,
superar o ‘meio’ e adentrar-se pelo mundo.”
(Pieper, Que é filosofar? Que é acadêmico?, p.22)
Chega um momento que precisamos aprender a voar, a hora sair de nossas tocas tão cômodas e conhecer o mundo, mas não apenas isso, é chegada a hora de ser, conscientemente. Penso que isso está diretamente relacionado à busca de algo de certa forma trivial, a vocação.
Encontrar uma profissão é fácil para qualquer um com um Guia desses que se vê por aí. Mas espera um pouco, profissão o que tem a ver com vocação? Este é o ponto. Nos acostumamos a substituir o conceito de disposição natural/chamado (vocação) por ofício/ocupação (profissão). Talvez não sejamos seres tão banais a ponto de a simples pergunta “o que gosto de fazer?” solucionar uma das questões essenciais de uma existência mesmo que curta em termos de Universo. Não é supervalorizar o ser humano, mas favorecer o mínimo para que nossas sombras sejam menos evitadas e mais entendidas.
Certo, que questões deveríamos fazer a nós mesmos se quiséssemos encontrar algo que possa nos impelir a conquistas? Talvez se deixássemos de analisar a carreira como o foco principal e nos preocupássemos com as conquistas como um todo. Entender como somos afetados por nosso passado e presente, buscar a relação entre o gostar de fazer e gostar de ser. “A descoberta do valor de sua contribuição pessoal para a vida em sociedade é fundamental para o homem contemporâneo que vive em uma sociedade onde é valorizado o individualismo, o isolamento e a competitividade.”*
XI
O pássaro
Conhece o horizonte.
A redondez
da terra.
E a primavera que anuncia no canto solitário.
E na espera.
O pássaro não sabe
que eu sei, solitário,
atrás da vidraça estas coisas que ele sabe.
Mas o pássaro
sabe de coisas
que nunca saberei
atrás das vidraças.
Quem quiser interpretá-lo, sinta-se à vontade

