Arquivo da categoria: Minhas leituras

Começo conjectural da história humana

Um resumo da bela interpretação que Kant fez do Gênese bíblico:

[...] a saída do homem do Paraíso, que a razão lhe apresenta como a primeira instância de sua espécie, não significa outra coisa que a passagem da rudeza de uma criatura puramente animal para a humanidade, dos domínios nos quais prevalecia o governo do instinto para aqueles da razão; numa palavra, da tutela da natureza para o estado de liberdade. A questão de saber se o homem ganhou ou perdeu com essa mudança não mais se impõe quando olhamos a destinação de sua espécie, que reside unicamente em progredir rumo à perfeição, pouco importando os erros no início, durante os sucessivos ensaios empreendidos por uma longa série de gerações em sua tentativa para atingir aquele alvo. No entanto, essa marcha, que para a espécie é um progresso que vai do pior para o melhor, não é precisamente a mesma coisa para o indivíduo. [...]

Curioso como essa era a mesma visão de Joseph Campbell. Um filósofo e um mitólogo em comunhão de pensamentos não é algo comum de se ver.

Indizível

Durante uma interessante discussão em um chat no msn, me lembrei de um excelente livro que li pouco tempo atrás: Sidarta do ecritor Herman Hesse.

Difícil definir este livro. É surpreendente o modo leve como o autor consegue trazer à tona este tema: a busca. Diferentes caminhos que levam a diferentes modos de vida, mas sempre buscando a essência. Talvez indizível seja uma definição apropriada a este livro.

Algo que comecei a perceber é exatamente isso: quando apenas procuramos respostas e esquecemos de contemplar, nos falta algo e pode ser que este seja Aquele algo. Estas definições, por mais vagas que pareçam, contém algo além da razão: a experiência, a sensação.

A seguir deixo o trecho que a colunista Soninha Francine dissertou na contracapa:

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Cidades Invisíveis (parte II)

Como gostei muito deste livro, considero totalmente justo deixar alguns trechos aqui para poder refletir de vez em quando. Recomendo freneticamente (?) a leitura!

“Mas fosse evidente ou obscuro, tudo o que Marco mostrava tinha o poder dos emblemas, que uma vez vistos, não podem ser esquecidos ou confundidos. Na mente do Khan, o império correspondia a um deserto de dados lábeis e intercambiáveis, como grãos de areia que formavam, para cada cidade ou província, as figuras evocadas pelos logogrifos do veneziano.” [...] Contudo, cada notícia a respeito de um lugar trazia à mente do imperador o primeiro gesto ou objeto com o qual o lugar fora apresentado por Marco. O novo dado ganhava um sentido daquele emblema e ao mesmo tempo acrescentava um noo sentido ao emblema.”

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Cidades Invisíveis

Marco Polo descreve uma ponte, pedra por pedra.

- Mas qual é a pedra que sustenta a ponte? – pergunta Kublai Khan.

- A ponte não é sustentada por esta ou aquela pedra – responde Marco -, mas pela curva do arco que formam.

Kublai Khan permanece em silêncio, refletindo. Depois acrescenta:

- Por que falar das pedras? Só o arco me interessa.

Polo responde:

- Sem pedras o arco não existe.”

 

[Retirado do livro "As Cidades Invisíveis" de Ítalo Calvino]

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