Aleatorieades 23/06/2009
Posted by Tilion in Além, Contos da vida moderna, Essencial, Pensamentos aleatórios.Tags: futuro, passado, poesia, presente, tudo junto
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Corra. Pule. Ande. Desça.
Faça. Desfaça. Brinque.
Mude. Perceba.
Seja.
Sou
porque quero
porque ainda vou ser
Penso
porque sinto
porque sei que ainda quero
Sigo
porque preciso
porque sei que ainda virá
Será que um dia tudo será de algum modo diferente do que será se formos iguais?
Será que tudo será frio e pálido quando esquecermos o que nós somos?
Será que há algo além daqui, de nós, de vós, de nosso avós e daqueles que virão?
Será mesmo?
Indizível 07/06/2009
Posted by Tilion in Essencial, Minhas leituras.Tags: Budismo, consciência, contemplação, Herman Hesse, leituras, Sidarta
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Durante uma interessante discussão em um chat no msn, me lembrei de um excelente livro que li pouco tempo atrás: Sidarta do ecritor Herman Hesse.

Difícil definir este livro. É surpreendente o modo leve como o autor consegue trazer à tona este tema: a busca. Diferentes caminhos que levam a diferentes modos de vida, mas sempre buscando a essência. Talvez indizível seja uma definição apropriada a este livro.
Algo que comecei a perceber é exatamente isso: quando apenas procuramos respostas e esquecemos de contemplar, nos falta algo e pode ser que este seja Aquele algo. Estas definições, por mais vagas que pareçam, contém algo além da razão: a experiência, a sensação.
A seguir deixo o trecho que a colunista Soninha Francine dissertou na contracapa:
Learning to fly 23/05/2009
Posted by Tilion in Além, Essencial.Tags: antropologia, busca, escolhas, filosofia, Pink Floyd
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“Humano significa: conhecer além das estrelas
que estão por cima do teto que nos cobre, isto é,
além de toda a adaptação necessária ao concreto de todos os dias,
estar consciente da totalidade das coisas,
superar o ‘meio’ e adentrar-se pelo mundo.”
(Pieper, Que é filosofar? Que é acadêmico?, p.22)
Chega um momento que precisamos aprender a voar, a hora sair de nossas tocas tão cômodas e conhecer o mundo, mas não apenas isso, é chegada a hora de ser, conscientemente. Penso que isso está diretamente relacionado à busca de algo de certa forma trivial, a vocação.
Encontrar uma profissão é fácil para qualquer um com um Guia desses que se vê por aí. Mas espera um pouco, profissão o que tem a ver com vocação? Este é o ponto. Nos acostumamos a substituir o conceito de disposição natural/chamado (vocação) por ofício/ocupação (profissão). Talvez não sejamos seres tão banais a ponto de a simples pergunta “o que gosto de fazer?” solucionar uma das questões essenciais de uma existência mesmo que curta em termos de Universo. Não é supervalorizar o ser humano, mas favorecer o mínimo para que nossas sombras sejam menos evitadas e mais entendidas.
Certo, que questões deveríamos fazer a nós mesmos se quiséssemos encontrar algo que possa nos impelir a conquistas? Talvez se deixássemos de analisar a carreira como o foco principal e nos preocupássemos com as conquistas como um todo. Entender como somos afetados por nosso passado e presente, buscar a relação entre o gostar de fazer e gostar de ser. “A descoberta do valor de sua contribuição pessoal para a vida em sociedade é fundamental para o homem contemporâneo que vive em uma sociedade onde é valorizado o individualismo, o isolamento e a competitividade.”*
XI 21/05/2009
Posted by Tilion in Além, Essencial.Tags: busca, iluminação, liberdade, Lindolf Bell
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O pássaro
Conhece o horizonte.
A redondez
da terra.
E a primavera que anuncia no canto solitário.
E na espera.
O pássaro não sabe
que eu sei, solitário,
atrás da vidraça estas coisas que ele sabe.
Mas o pássaro
sabe de coisas
que nunca saberei
atrás das vidraças.
Quem quiser interpretá-lo, sinta-se à vontade
Tilion 14/05/2009
Posted by Tilion in Além, Essencial.Tags: mitologia, mitologia nórdica, Promethea, símbolos, Tolkien
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O timoneiro da Lua, esta seria a resposta básica para alguém que perguntasse: “Quem é Tilion?” Mas isso não é suficiente para explicar o que entendo como a essência desta figura.
Sim, este vocativo veio da fonte mais óbvia, J. R. R. Tolkien e sua obra. Quando li O Silmarillion fiquei admirado com toda aquela riqueza de detalhes e como a fantasia fluia naturalmente em tudo. Depois de acabar a história, me deparei com o acervo dos nomes, histórias e significados dos personagens e de tudo que compunha aquele universo. Lendo sobre Tilion e relembrando sua participação na criação do mundo (Arda), me interessei por aquela personagem que evocava (e ainda o faz) uma parcela da personalidade de todos. Aquele ser que existe e não existe, habita nossas mentes, mas mora em reinos muito mais vastos.
Tilion, um dos caçadores de Oromë, aquele que portava o arco de prata e conhecido como o provido de chifres. Era leal e honrado de tal forma que foi designado como o responsável por trazer a luz de uma das Grandes Árvores de volta a Arda.
Como se sabe, Tolkien teve como base para a criação de seu universo muitos mitos nórdicos. Um exemplo disso, é a Lua personificada por Máni, irmão da representante do astro-rei, Sól. Todas as noites, ele percorre os céus com sua carruagem à cavalos, mudando as fases da Lua. Porém, a tranquilidade de Máni é perturbada pelo lobo Hati (hate = ódio em inglês) que, ao perseguí-lo causa o fenômeno do eclipse lunar.

Máni e Sól
Apesar da beleza ao interpretar ocorrências tão conhecidas em nossos tempos, estes mitos não se resumem a apenas isso. Pela grande influência greco-romana em nossa cultura, é natural associar as características lunares a uma deusa, no entanto os dois exemplos masculinos com suas contrapartes femininas (além de irmãs) ligadas ao Sol mostram algo diferente. Na minha opinião, este outro modo de enxergar a dualidade dos gêneros apresenta uma grande riqueza, o complemento dos opostos.
Agora percebo uma analogia que transcende definições: Tilion parece ser o pólo lunar/masculino da essência de Promethea. Não vejo pretensão alguma aqui, explico porque: Tilion é o encarregado de levar a última das flores de Telperion aos céus. É ele que nos mostra a contemplação tão natural da noite, o céu estrelado que desperta sensações e pensamentos. Ao conduzir seu barco, ele nos lembra que as sombras estão tão ao nosso lado que fazem parte de nós. “Mas se são sombras, são malignas e deveriam deixar de existir.” Será mesmo? Não, prefiro pensar que elas nos são mostradas para que possamos trazê-las à luz, desvendar seus mistérios (fugir de Hati), não exterminá-las. O título de “o portador de chifres”, seu arco e a curvatura natural desta arma lembram a Lua crescente e tudo aquilo que ainda é desconhecido e há de ser entendido. O fato do arco ser feito de prata é sinal do brilho que ele carrega mesmo na escuridão.
“Eu sou a voz que resta, assim que o livro termina… Eu sou o sonho que o despertar não encerra. Eu sou Promethea, a mais ardente faísca das artes… sou toda a inspiração… todo o desejo. Eu sou Promethea… e lhe trago fogo.”
Ela é a imaginação ativa, o querer sonhar. Enquanto ele é a parte passiva, a contemplação. Promethea traz o fogo e um toque feminino a tudo que associamos ao Sol e o dia. Tilion mostra como é possível uma personagem masculina portar traços lunares e a serenidade da noite.
Refletindo, divagando, pensando profundamente mantemos contato com aquela parte do nosso ser que podemos dar um nome: Tilion. Ela me visita quando escrevo estes textos e espero que quem caia por estes lados também a encontre.
Que o Timoneiro nos traga sua serena luz.